Ensaiar é preciso

Com os textos devidamente escolhidos e após uma semana de ensaios, os atores do Apalpe se reapresentaram neste sábado, dia 20, no Ibam. Encenações cheias de energia, acrobacia e descontração, como a representação de um aparelho de rádio feita pela bailarina e atriz Talitta, arrancaram risadas do grupo.

As performances aconteceram durante a manhã, momento em que o coordenador do Apalpe, Marcus Vinicius Faustini aproveitou para pontuar algumas falhas e dar dicas, além de deixar uma tarefa para o próximo encontro. “Um problema geral que detectei é que os textos estão muito falados. Há uma tendência forte em narrar de forma publicitária. E isso pode estar acontecendo devido à insegurança no texto”, comenta Faustini.  E, para evitar que este erro se repita, Faustini foi taxativo. “Para a próxima semana a tarefa é decorar os textos. Quero que vocês estudem as estruturas da cena”, conclui.

À tarde, os atores soltaram a voz sob o comando da cantora, atriz, poeta e psicanalista Numa Ciro. “Muita, muita e muita prática com eles. Pouca teoria, pois eles adoram teorizar a vida”, brincou Faustini antes de deixar seus pupilos na oficina de voz. Os atores tiveram, segundo os próprios, o prazer de passar algumas horas do dia exercitando os graves, agudos, e entendendo melhor os movimentos que a voz é capaz de fazer.

Apalpando as vozes

Maria do Socorro Brito Araújo, 60 anos, nascida em Campina Grande, na Paraíba, é mãe de um filho e, recentemente, avó da pequena Beatriz, de apenas quatro meses. Cantora, atriz, poeta e psicanalista, Maria do Socorro é figura querida no Apalpe. Mais conhecida como Numa Ciro, a artista revela como ganhou este nome artístico e a importância da voz em sua vida.

O que significa voz para você?

Para mim, a voz é a mais importante característica do ser humano. Eu posso pensar em estar tetraplégica, paraplégica, cega, mas não posso me imaginar sem voz. Eu acho que a voz é o que nos diferencia dos outros animais. Por falarmos, por termos linguagem, é que nós somos humanos.

O que te atrai na psicanálise?

A vontade de ouvir as diversas vozes do mundo. A voz com som e expressão, com timbre, volume, ressonâncias, sotaque e dicção. Gosto de ouvir aquela voz que chamamos de voz própria de um sujeito que tem o que dizer. Acho que gente tem muita coisa interessante a dizer, e eu gosto de ouvir.

Como você enxerga o Apalpe?

O Apalpe é um projeto importantíssimo, super criativo. O Faustini é um cara que eu admiro muito, principalmente pela criatividade com que ele trabalha esses aspectos culturais. Ele está apalpando as palavras, está apalpando as periferias do ser humano, não só do urbano, mas a periferia do nosso íntimo. Ele vai apalpando lugares onde nós nunca estivemos.

De onde veio o nome Numa Ciro?

Minha mãe era muito católica e meu nome foi escolhido em homenagem a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Quando comecei a cantar percebi que Maria do Socorro não dava muito certo. Aí uma amiga, que também é cantora, inventou esse nome; Numa Ciro. Um dia eu perguntei se ela estava usando e ela respondeu que não. Então resolvi pedir o nome e ela me deu. A partir deste dia me tornei Numa Ciro.

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2 respostas para Ensaiar é preciso

  1. Henrique Silveira disse:

    Tá ai uma boa dica: ouvir vozes. Gostaria de ouvir vozes nesse blog.

  2. Cristina HARE disse:

    Ah! Foi bem legal…
    Eu contei que me chamei Débora, até a minha vó chegar e dizer: “Que horrível! Débora parece abóbora!”
    Aí , após algumas discussões, me tornei Cristina.
    Mas as histórias inusitadas que rondam o meu nome não pararam por aí…no meu registro de batismo , o nome que consta é Cristina Dercy ! Ninguém observou ou sabe explicar o porquê! O meu nome resgistrado é Cristina da Costa e no batistério é Cristina Dercy da Costa!
    Eu só tenho o sobrenome do meu pai…por que o da minha mãe é Gomes e ela não quis que nenhuma das filhas fosse GOMES DA COSTA , porque essa marca era muito famosa na época e ela teve medo que sofrêssemos galhofa na escola.
    Depois vieram os apelidos…tenho tantos: Tininha, Cris, Crica, Tina, Magrela, Titita…Crisha …Krishna…Crisha Hare …Hare
    E Hare acabou ficando mais forte que o nome.

    Todos tinham uma história a respeito do seu nome pra contar e foi bem legal saber de cada um os porquês de seus nomes e apelidos.

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