Apalpando: Mano Brown e Ice Blue

 

Ice Blue e Mano Brown durante o debate na UFRJ

Ice Blue e Mano Brown durante o debate na UFRJ

 

Marcus Faustini abriu a mesa de inauguração dos eventos do Apalpe com uma frase que já deu a tônica da noite: “periferia não é lugar de carência, é lugar de potência”. A tônica da noite seria arrepiante e potente.

Minutos depois estariam sentados de frente para o público de mais de 100 pessoas, Mano Brown e Ice Blue. Ouvir Brown falar por si só já é histórico, dada a raridade com que isso acontece. “Eu já tô quarentão, tô cansado de falar um pouco. Tá na hora de ouvir, reciclar as ideias”.  Depois de uma fala que não durou mais que cinco minutos, Brown passou a palavra à Blue que também falou rápido e jogou a bola para o público. Daí em diante o que se viu foi um momento raro e único, onde a galera da platéia, Mano Brown e Ice Blue discutiram o presente e o futuro. Cultura, literatura, hip-hop, política, capitalismo, desigualdade, educação e outros temas “pauleira”.

A coisa já começou com Ice Blue dizendo o porquê da periferia ser um tema central: “a periferia só cresce e foram obrigados a olharem pra nós. A periferia mostrou perigo, não só armado, mas como voz de reivindicar”.

Do outro lado Mano Brown rebatia sobre essa voz que vem da periferia e seu poder: “Tudo pra mim é revolução, o fato de eu estar vivo, fazendo música para os meus. Aí eu acho que a música pode ser instrumento pra tudo. De trocar uma ideia ou fazer a revolução”. E claro, conclamou a todos para a revolução: “a gente tem que aprender a manusear as armas: as letras, as câmeras”.

Passado o debate, o público começou a pedir música e em uma cena jamais vista, Mano Brown convocou o amigo William Magalhães da banda Black Rio que estava na plateia para sentar-se ao piano. No Palácio Universitário, lugar impensável para os “pretos há 20 anos”, como bem lembrou Ice Blue no início da conversa, os pretos tomaram o piano, comandaram o público e mostraram que a palavra da periferia não só tem força como ela é boa de rima. É como disse Ricardo Ezia, estudante que estava na plateia, “isso aqui é um nó na lógica vigente”. E foi só o primeiro…

Hoje o Apalpe continua em ritmo de rap, literatura, funk e onde mais houver palavra. A programação não para e a chapa segue quente com:

– Encontro com Ronaldo Correia de Brito

Local: Sede Cia dos Atores às 19h

Intervenção Urbana “A palavra da periferia”:
– Abertura da Intervenção Urbana Apalpe – Toda a Rua Teotônio Regadas sofrerá intervenções visuais a partir do uso de palavras, transformando a via pública num local de experimentação estética, onde a memória do território, arte e vida se misturam: projeções, pinturas, cartazes, performances, etc.
 
- Happening com mais de 35 artistas da metrópole do Rio
 
- Abertura da exposição Carrinho Ambulante Literário

–    Distribuição da Revista Apalpe – 35 contos produzidos no processo de oficinas
 
- Pocket Show com Numa Ciro (performer, cantora e atriz)
 
- Bailão Literário – Coquetel e som eletrônico com o DJ Saens Peña

Local: Escola Livre da Palavra e Rua Teotônio Regadas a partir das 21h

Veja aqui trechos da conversa com Mano Brown e Ice Blue

Veja Mano Brown e Ice Blue cantando no primeiro evento Apalpe

Sobre alebizoni

Jornalista especializada em Mídia e Educação
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