Apalpando a massa

Talita Chagas produzindo seu texto

Os participantes do Apalpe começaram a colocar a mão na massa. Depois de exercícios, discussões e debates com convidados, chegou a hora de começar a escrever.

De acordo com Faustini é hora de levar a subjetiva ao campo que se convencionou chamar de “popular”. “O lugar do popular em nossa cultura ainda está ligado a um ethos da sobrevivência, do extraordinário. Ele precisa ser deslocado para o campo da subjetividade, do combinatório, do fluxo de consciência”, observou.

E para dar as diretrizes daquilo que será efetivamente a “palavra da periferia”, foram determinados alguns procedimentos. Cortes simples, mas que demonstram a direção desejada para os trabalhos.

Quem quiser pode dar voz a seu território pode partir dos seguintes procedimentos:

– Elaborar um teto de 30 a 50 linhas, escrito em primeira pessoa.

– Produzir a partir de objetos (elementos externos ao sujeito).

– Trabalhar com uma marca no passado/presente/futuro.

– Colocar um legume, uma fruta ou vegetal.

– Trabalhar com combinatórios.

– Apresentar um território, com elementos como rua, árvores.

– As relações de espaço/tempo remetendo aos anos 1970/1980.

Felipe Araújo, de Bangu, produzindo seu trabalho do Apalpe

A primeira produção – Os participantes se empolgaram e produziram seu texto dentro dos procedimentos sugeridos. Os símbolos dos anos 1970 que enfeitaram as ruas de Engenheiro Leal; índices de uma geração, como a conga e o cabelo Black Power deram vida ao trabalho de Cristina Hare.

Já Márcia do Valle, ao descrever a travessia de duas solteironas pelo Boulevard 28 de Setembro, trouxe elementos como a praça, a boneca Susi, afetos e desafetos numa assimétrica relação de amizade.

Já Tetsuo Takita criou uma Lapa sombria e devastada num conto de ficção-científica com pitadas de erotismo. “Meu futuro ainda é 1985”, escreveu o jovem ator.

Esse foi o tom dos primeiros trabalhos apresentados no último sábado. Contudo, a rodada inicial de comentários foi apenas um aperitivo do que está por vir.

No próximo dia 7, haverá um sarau no qual todos apresentarão seus trabalhos. Em seguida, a produção será analisada por uma banca de escritores convidados para tecerem observações sobre os textos para os seus autores.

Tudo isso já tem como meta o grande evento do Apalpe que será realizado na cidade em setembro.

Sobre alebizoni

Jornalista especializada em Mídia e Educação
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2 respostas para Apalpando a massa

  1. Cristina Hare disse:

    Consegui colocar Engenheiro Leal no mapa ! Incrível.
    Na platéia , 99, 99% nunca havia ouvido falar neste bairro, que se espreme entre Madureira, Cascadura e Cavalcante e que no passado, foi importante estação de trem da linha auxiliar.
    E foi exatamente por já estar acostumada com isso que comecei o meu texto, dizendo assim:
    “Eu dizia que morava em Madureira, e se muito íntimo, eu confessaria que era em Cascadura. Mas na verdade em morava mesmo em Engenheiro Leal. “

  2. Hoje tive a oportunidade de ouvir do próprio Marcus tudo o que foi descrito acima. Suas contribuições a respeito do pobre e do popular, da importância da subjetividade para construir o ordinário. Adorei!!! Vou estudar mais. Ah! O encontro foi no Seminário de Arte, Invenção e Experiências Formativas em Fortaleza-CE

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