Para entender o Apalpe

Faustini apresentou os fundamentos teóricos do Apalpe

Perceptus, dispositivo, repetição, fruição. Esses são conceitos fundamentais para a compreensão da proposta do Apalpe – a palavra da periferia.

No sábado, 24, a fundamentação teórica do projeto iniciou os trabalhos.

Iniciativa que pretende prolongar a proposta do Guia Afetivo da Periferia, o Apalpe culminará com um evento previsto para setembro, no qual os participantes farão uma intervenção na cidade. 

A ação com o livro se torna mais importante do que o livro em si.  Já vendi o livro de mesa em mesa na Lapa, em Brasília, em Recife. Criei uma toalha de mesa de bar com um trecho do livro. “Por isso, o Apalpe se torna um projeto de criação para outras pessoas”, assinala Faustini.

Segundo Faustini, o dispositivo que deu origem ao Guia Afetivo da Periferia foi criar um livro sobre ruas. Algumas das obras que o inspiraram foram o “Guia Prático, Histórico e Sentimental da Cidade do Recife”, de Gilberto Freyre, e o “Um guia de Lisboa”, de Fernando Pessoa.

Um dos fundamentos teóricos do Apalpe, explica Faustini, é a repetição, que deve estar presente no processo criativo. Desse modo, a opção de gerar dispositivos — estratégias que transformam a criação em fluxo, em um processo que se estende e se transforma a cada recepção.

“Precisamos atuar no mundo do ordinário, no dia-a-dia. A criação precisa ter repetições. A vida é uma repetição. O perceptus promove um modo diferenciado de as pessoas se relacionarem com a criação, que não apenas o da contemplação” observa Faustini, que além de escritor, é cineasta e diretor teatral.

Assim, acrescenta Faustini, foge-se da representação (obra que encerra na estrutura princípio, meio e fim) e que atende mais às demandas de um mundo complexo, veloz, global e acima de tudo digital.

“Hoje em dia, na há como criar algo que fique paralisado, que se esgote num primeiro momento de exibição. É preciso buscar o fluxo”, pondera Elisângela dos Santos, de Jardim Primavera, Duque de Caxias.

O centro está em toda a parte – Ocupar espaço na Literatura, observa Faustini, não é fácil para quem vem de periferia. “Geralmente, os espaços destinados à periferia são os da oralidade, como a música, por exemplo. Se apoderar da linguagem escrita é entrar num espaço, até então, ocupado pela elite. Quero transformar o Guia Afetivo em uma estratégia de massa”.

O evento do Apalpe terá objetos, textos, performances, vídeos e outras formas de intervenção na cidade. O objetivo é mobilizar a população para outra relação com cidade, lançando um olhar diferenciado sobre os sujeitos que estão na periferia. E esses sujeitos produzirão “seus guias” em diferentes suportes.

Sobre alebizoni

Jornalista especializada em Mídia e Educação
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